segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Nossa Brilhante Estrelinha


Estamos dentro de um corpo físico, que funciona maravilhosamente bem e graças a ele interagimos com a realidade.
Vemos as coisas e as tocamos, apenas com vê-las temos uma informação de cores, distância, até noções do peso e da textura.
O incrível é que tudo isso é uma representação que nosso cérebro faz da realidade.
A física e a química nos dizem que as coisas estão feitas de moléculas e o espaço vazio é muito maior que os espaços ocupados pela "matéria".
Veja o video a seguir, um trecho do filme "Quem Somos Nós", para ilustrar a questão anterior.



É com isso que temos que entender o que for possível do universo.
Por que temos que entender alguma coisa ? Poderíamos desistir, dar as costas dizendo que nunca teremos uma ideia clara do universo porque nossas limitações são enormes.
Desistir de entender, porque é algo que não vai fazer diferença na nossa vida.
Talvez quem pensa assim tenha razão.

O único problema para desistir de tentar entender isso, é que tomei consciência de mim mesmo.
Não foi tão difícil. Veja bem meu raciocínio básico:
Tudo que existe e ira existir estava naquele momento antes do Big Bang.
Eu estou aqui. Portanto, eu estive lá.
Não existe nenhuma outra possibilidade de eu estar aqui, se não estive antes onde tudo estava.
As moléculas que compõem o corpo, antes de ser elementos, assim como a partícula divina que lhe dá vida e conciência, antes de ser individualizada, tiveram a mesma origem de tudo que existe.
Contudo, com todas minhas limitações, sei que existo.
Se eu existo, eu estava lá.
Até ai todos podemos chegar. Se quisermos. É um tipo de dedução, aqueles muito mais evoluidos não precissam fazer, eles sabem, eles tem plena conciência disso.
Outras coisas podemos aceitar, somos irmãos, todos. Mais do que irmãos.

Até onde posso chegar ? Sem criar polêmica, até ai.
Só para você ver, vou dar mais um passo: Qual era a parte de nós que estava lá ?
Obviamente que a resposta envolve conceitos do tipo: minha alma, minha essência, meu espirito, e outras palavras com significados semelhantes. 
Cada uma dessas palavras são diferentes das outras.
Por exemplo: Alma, vem do hebraico Nephesh e do grego quch (psyche), já o Espirito é hmvn (Neshamah) ou Mwr (Ruach) e do grego Pneuma.
Poderíamos dizer que queremos nos referir à partícula divina que existe em cada um de nós. 
A palavra seria mais Espirito (Neshamah) entendido como o sopro Divino (Gênesis 2:7). Citei a Bíblia. Respeito todos os que procuram Deus. Sendo assim teria que ir pesquisar, pelo menos, nas outras grandes religiões do mundo, qual o nome dado ao "Neshamah" ...é algo muito abrangente, acho interessante, mas não vou fazer isso agora.
Todos aceitamos "O Universo", mas nem todos aceitam "A Criação".
Prefiro não entrar no labirinto das palavras e das crenças, tem um lado objetivo que todos podemos conversar facilmente: os fatos.

Vamos então falar de fatos...ou que, pelo menos, parecem fatos.

Permita-me mostrar fatos que me impressionam, sobre as estrelas.
As estrelas, como parte do Universo, chamam muito nossa atenção, talvez porque ao olhar para elas numa noite, longe das luzes da cidade, elas são o próprio Universo, o que conseguimos ver de maior da nossa realidade.

Mas, que tão grande é o que vemos ?  Na noite, aqui no Brasil, encontro a Constelação de Órion, com enorme facilidade graças às Três Marias (O Cinturão de Órion). A seguir tem ela nos dois hemisférios (foto da NASA).


Deixa mostrar o nosso Sol (o amarelinho do meio) e Alnitak (a maior em azul), uma das estrelas das Três Marias


Aqui no Brasil sempre olhamos para o Cruzeiro do Sul, uma constelação que faz parte da Bandeira do Brasil.
Na figura seguinte olha o tamanho de Gama Cruxis, a maior em vermelho, que é a estrela da ponta do Cruzeiro do Sul, ao seu lado esta Rígel, em cor azul, que faz parte de Órion, também aparece Alnitak, é a de cor azul na fileira de baixo:


Cada vez maiores e maiores, mas o que é grande mesmo? Vamos à maior estrela conhecida: Mu Cephei
Na figura de cima, Alnitak é um pontinho azul logo abaixo de Mu Cephei. Aparece também Gama Cruxis, que é a de cor vermelha na fileira de baixo.


A noite é uma lição de humildade.
Como não ser humilde ?
Vendo o Sol,
virando uma poeira, e nós ?
Um dos sete bilhões,
no planetinha azul,
o terceiro da estrela anã.
O Sol tem irmãs gigantescas !
Ele faz parte do Universo.
Nós também.


Numa das classificações de estrelas mais conhecida, a classificação espectral de Yerkes, o Sol esta na categoria das "Estrelas da Sequência Principal"e considerado uma estrela anã. 
Faz parte de uma categoria denominada G2, à qual pertencem a maioria das estrelas. 
Nessa classificação as estrelas passam para a categoria seguinte, que é a das Subgigantes ou Gigantes Vermelhas e depois para outra até chegar ao estágio final de Anã Branca.
A denominação de "Anã" não é nada discriminatório, apenas o nome utilizado na Astronomia, em função do tamanho comparativo com as estrelas Gigantes, Supergigantes e as Hipergigantes.
É fácil entender a razão dos nomes.
O Sol, mesmo tendo um tamanho parecido com a maioria das estrelas, tem um brilho maior que 85% das estrelas (G2) da Via Láctea, o que significa que é mais brilhante do que 100 milhões de estrelas da sua classe (G2). 
É uma estrela brilhante. 
É nossa brilhante estrelinha !


O tamanho das estrelas  muda com o tempo. 
As estrelas tem um ciclo de vida.
Incrível que nós, humanos, temos conhecimento do ciclo de vida das estrelas, que pode durar centenas de bilhões de anos.
Mas, temos sim, graças aos astrónomos, astrofísicos e demais cientistas que dedicaram suas vidas aos estudos, usando desde os telescópios de luneta, até os equipamentos modernos de raios x, espectrógrafo para infra vermelho (calor), espectrógrafo para a luz ultra violeta, além das observações ópticas com poderosos telescópios, incluindo o Hubble, em órbita da terra desde 1990.

O entendimento da dimensão tempo também é uma limitação nossa, para nós acontece como se fosse uma linha.
Nosso agora, o presente, divide o passado e o futuro. 
Temos acesso às informações do passado, mas, o futuro não o conseguimos ver.
Nosso presente afeta o futuro, mas, não afeta o passado.
Obviamente, o entendimento da dimensão tempo é a maneira como nosso corpo, com todos seus sistemas interpreta a realidade.

Considerando o tamanho das estrelas e a enorme quantidade delas (veja "Obs."), algo da ordem de 100 bilhões de trilhões de estrelas, imaginem toda essa energia reunida num único ponto, imaginem a densidade desse ponto, sabem de qual tamanho ? Teoricamente, de diâmetro zero ! (invisível).
 
Quem afirma isso são cientistas. A Teoria do Big Bang (Universo Inflacionário) é a teoria cosmológica dominante, ou seja, aquela com a qual concordam a maioria dos cosmólogos, astrofísicos, astrônomos e demais especialistas.

Concluindo, em primeiro lugar, continuo fascinado com o fato da ciência ter chegado até ELE. 
Em segundo lugar, o tamanho das estrelas e a quantidade total de estrelas, só me faz pensar nelas reunidas, 100 bilhões de trilhões de estrelas "comprimidas" num tamanho menor do que a cabeça de um alfinete.
Isso dá uma idéia da magnitude da energia... Energia é poder ?
Em terceiro lugar, pense comigo: 
Tudo estava lá, nada existia, apenas Ele. 
O que hoje existe, tudo, teve origem naquele ponto.
Então...
Temos uma palavra para esse ponto, não temos ?





OBS.
Quem chega até este Blog encontra muitos assuntos, todos me interessam, mas, nada como este de hoje e o anterior ("Ele" fev/2012).
Assim como hoje tem estrelas Hiper Gigantes e outras "G2", assim também existem civilizações como a nossa, espíritos como os nossos e outras e outros Hiper avançados.
Começamos a dominar a Engenharia Genética. Existem prós e contras, é algo muito delicado.
Gostaria de contar algo a respeito disso, talvez na próxima.
 

Também é interessante que, embora estreitamente relacionadas, a caraterística do brilho é uma coisa e o tamanho é outra.

Quantas estrelas existem no universo? existem mais de 1 trilhão de galáxias no universo, cada uma com 100 bilhões de estrelas, em média, ou seja: 100 bilhões de trilhões de estrelas. Esse cálculo o encontra clicando "aqui".


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Ele


No inicio era o nada e ELE.

Existia Ele e unicamente Ele.

Antes do tempo existir. Antes de tudo vir a ser.

Nenhum observador viu, jamais,
o que todos sabemos em nossa essência desde sempre.
 

João escreveu: 
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus." (João 1:1-3). 

A Astronomia e a Física moderna chegaram a ELE no século XX, quando Georges Lemaître o denominou de "Átomo Primordial" ou "Ovo Cósmico", que era o átomo primitivo em que estava contido todo o Universo. 
Ficou mais conhecido, no mundo científico, como o momento antes do Big Bang, que passou a ser o nome da teoria mais aceita de origem do universo.
Com absoluta e total ausência de fé, fazendo uso do rigoroso método cientifico, baseado nos estudos de Einstein (Teoria da Relatividade) e do cosmólogo e matemático Alexander Friedmann, entre outros, essa teoria afirma que esse único "átomo primordial" deu origem a todas as galaxias e todas as estrelas que existem. Em outras palavras, deu origem a "tudo".
Não apenas isso, de acordo com os cientistas, o tempo, que entra como uma quarta dimensão, também teve origem nesse "átomo primordial". 
A densidade desse átomo primordial era enorme, concentrando toda a matéria do universo num tamanho, teoricamente, de diâmetro zero.

Permitam-me mostrar uma imagem, que me lembra um momento sagrado.





sábado, 4 de fevereiro de 2012

Seletividade

Deixa entrar no impossível, para mostrar uma característica dos fatos.
Você, vamos supor, prefere um certo shampú ou condicionador de cabelo. 
Você esta lá no super mercado com seu carrinho de compras, pensa que precisa o tal shampú e vai no setor onde ele fica, mas, quando ele vê você ele se esconde. Você tenta pegar e ele foge. Você coloca ele no seu carrinho e ele fica igual um prisioneiro, resmungando e planejando escapar.
Vamos imaginar outra situação. 
Aquele barzinho que uma mulher como você gosta, certamente seria um dos seus lugares favoritos, pelo serviço, a decoração do ambiente e o jeito que sabem preparar as bebidas, sem contar os tira-gostos (appetizers) e a música, tudo de bom. 
Imagina que numa sexta-feira você veste aquele vestido novo, vai lá com uma boa companhia, o Geraldo, um cara muito interessante, chegam na entrada e tem um empregado que não deixa vocês entrar. 
Por que ? Não fez reserva. Tá certo que você tinha um certo tempo sem frequentar o lugar, mas, nunca antes teve que fazer reserva e nem sabia que o lugar tinha um empregado na porta verificando isso. Outros vão chegando e ficam também surpresos, mas, falam com o tal empregado que são primos do dono, Sr. Gonçalo, e ai o empregado os deixa entrar ! 
Vocês dois reclamam com o empregado, como é possível que os que chegaram depois entraram e também não tinham reservas, só que agora o empregado diz que lotou, não tem mais lugar. 
Você não acredita que isso esteja acontecendo, tenta manter o bom humor para não azedar a noite, mas, isso só pode ser um pesadelo, aliás, você lembra de algo muito estranho que aconteceu quando estava se vestindo. 
Aquele vestido que você esta usando, ele se recusou a ser vestido. Agora você lembrou, puxa, foi uma batalha, quase que rasga ele para poder vestir, um vestido novo que você adorou quando comprou.
Inacreditável.
Pois é. 
Na vida real nossas escolhas nunca nos recusam.
Que alivio !  
Lidar com escolher já é tão difícil, ainda bem que uma vez escolhidos não podem nos recusar.
Pelo menos as coisas.
Tem escolhas que temos que passar por uma seleção, um processo de concorrência com outras pessoas que fizeram a mesma escolha que nós. A entrada na Universidade, no Brasil, é assim. 
A vaga por um emprego também pode ser assim.
Claro, a seleção de um parceiro, namorado ou esposo, também tem algo a ver com isso. Com o que? Dependendo do momento pode ter a ver com a concorrência ou até com a situação do shampú (rsrs). 


A gente dá tanta importância às nossas escolhas, que pouco pensamos até que ponto é natural exercer esse "direito".
Até que ponto estamos sendo "manobrados" pela indústria do consumo. 
Me diga uma coisa, quantos shampús tem no seu banheiro ?
Tudo isso !?rsrs
Agora, me diga, precisa de todos eles ? Acho que corro o risco de ouvir que sim (rsrs).
As diferenças podem parecer importantes, no final das contas um shampú sabor pêssego é bem diferente de outro sabor hortelã. 
A questão é: Por que um shampú tem que ter sabores, se ninguém vai comer eles ?
Ahh, o cheiro. Claro, mas na hora que uma mulher está com a cabeça cheia de espuma, dentro de um banheiro, será que faz diferença ser pêssego ou hortelã ?
Talvez seja falta de sensibilidade da minha parte rsrs.
Sabe, a enorme oferta de opções pode ser uma jogada do consumismo. 
Para isso, a indústria do consumo, deve ter valorizado o momento de escolher. Tudo indica que foi. Foi de tal maneira que nós defenderiamos o direito de escolher custe o que custar.
O outro dia assistí um vídeo criticando a grande oferta de produtos semelhantes e, no fundo, essa questão de escolher. 
Pessoas que moravam em países onde a diversidade nos super mercados era pouca, passaram por um stress quando o capitalismo chegou com uma infinidade de produtos.
Comprar qualquer coisa passou a envolver uma decisão.
Vou colocar aqui o video, apenas para ilustrar o paragrafo anterior e a ideia da "ansiedade" que uma escolha pode provocar, mas, o video descreve uma percepção diferente e pode até "chocar" um pouco. 
Não tem legendas em português e o inglês tem um sotaque diferente, apesar disso fica bem claro, pelas figurinhas rsrs.  Obviamente, vai perceber que tem uma ideologia rsrs.  


Sim, toda escolha é uma decisão. Para mim toda decisão é estressante, mesmo que não perceba.
Tem vezes que fico com certa culpa. 
Por que ?  é assim: Vamos supor que você esta de turista num país da Europa e decide ir no teatro, dá uma olhada no que esta sendo exibido e entre as alternativas escolhe aquela comédia. Fica se perguntando se vai entender as piadas no outro idioma, mas, seu domínio é bom e decide ir. Vai fazer isso depois de visitar um museu que tem vários quadros de Monet, porque você adora o impressionismo. Tudo bem.
Como dizem nas receitas de cozinha: reserve para o molho.
Vamos supor que é solteira e esta escolhendo um parceiro. Tem dois indivíduos escrevendo para você, um gosta de teatro, tem umas fotos dele em outros países e diz que sabe falar 3 idiomas. Tem curso superior completo e exerce a profissão dele.
O outro pretendente nunca teve oportunidade de viajar fora do Brasil, não gosta de teatro e também não tem as outras coisas.Você até agora não esqueceu o comentário dele, quando você contou que tinha visto originais de Monet e adorava o impressionismo. Ele disse: "Eu também gosto de ver o impressionismo pela questão monetária e assim como você gosto de ver o original, já vejo que temos gostos parecidos."   OK.
Aquilo que tinha reservado, nem é mais necessário dizer como é para usar. 
Por isso sinto uma certa culpa. Os níveis, os desníveis.
Lógico que não é para sentir culpa.
É mais, sua "psicanalista familiar" já deve ter dito: "Querida, não sinta culpa nas suas escolhas. Seja feliz".
O duro é descartar, é deixar de lado, ignorar. 
Imagino que seja duro, sei lá. Não é não ?
Alguma vez pensou algo equivalente a: "Tomara que esse danado de shampú de pêssego seja bom mesmo, porque tive que deixar o de sabor hortelã lá na prateleira e ele fez uma carinha muito triste". (rsrs)


Falando disso, desliguei o MSN, já tem tempo, sabe por quê?  Pode ser que tenha outras razões, mas, a ficha caiu com o fato de que sempre ficava naquela opção de “invisível". 
Quando conversava com alguém, mantendo o status de "invisível", parecia que estava me escondendo.
Estava, de ninguém em particular, mas não queria dizer "não" para alguém que me procura-se naquele exato momento para conversar.
Por que não aceitaria outra conversa paralela?
Acho que têm a ver com os neurônios masculinos, eles querem tratar de um assunto de cada vez, não consigo fazer muitas coisas simultaneamente.
Um "oi" não posso deixar de responder, é uma questão de educação rsrs.
Obviamente, um "oi" sempre puxa algo a mais.
Se duas pessoas querem conversar comigo, lembro -na hora- daqueles malabaristas de circo.
É como manter os diálogos girando no ar, respondendo um e pegando o outro, a ser lançado rápido porque a replica e a treplica estão voltando.
Acho que uma mulher tem a capacidade de manter conversas múltiplas e simultâneas, além de estar assistindo um programa na TV e mais umas duas outras atividades quaisquer. 

Eu não. Dá para controlar o mouse, usar o teclado, olhar o monitor e me concentrar numa conversa rsrs, duas não, se fosse o mesmo assunto até daria, mas, nunca é o mesmo assunto.

A solução era ficar no status invisível. Até que deixou de fazer sentido. Por isso não tenho mais.
Alguém perguntou isso? rsrs




SELETIVIDADE
Acha que é coisa boa ?
sim, é útil, mas incomoda muito.
Não a use e vai ser divertido, no começo,
vai perder o tempo, no final.
Sempre se perde o tempo,
melhor divertir-se, então,
sim, depende da idade e dos níveis.

Filtros seguram o pó-do-café,
seguram as poeiras do ar-condicionado,
deixam a água mais pura,
um filtro solar ajuda a não queimar.

Os níveis são filtros,
nível cultural, ético, social,
sim, o econômico também,
Os gostos e preferências também são filtros.

Seletividade é escolher numa prateleira,
pela cor, pelo gosto, pelo preço a pagar.
Seletividade é escolher o que quer,
pelas vivências,pela carência psíquica e o passado.

Seletividade é também descartar,
ignorar, deixar de lado, não-pegar.

Seletividade é buscar satisfação, a sua,
agradar seus gostos e preferências,
querer correspondência nos modos,
questão de educação, comportamento e atitudes.

Seletividade tem efeitos colaterais,
é isolamento, é um certo custo, um esforço a mais.

Não ? Tudo bem.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Un Poquito de (P)rosa

Le dije a la brisa:






Obs.
A madrugada chegou,
marcando a hora da retirada,
tive que largar tudo,
para tentar o nada,
sonhar,
enquanto a p rosa  ficou inacabada,
invadindo espaços para ter tamanho,
é a vida, devo largar tudo,
quando chega a hora.
No dia seguinte,
apaguei quase tudo,
só ficou a brisa,
porque ela viu os matizes,
viu também que,
com uma pergunta e
uma onda do mar,
dá para fazer um coração.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Um lugar chamado "Omelas"

Refletir é bom, de vez em quando, dar uma paradinha na rotina e observar a vida.
Hoje deixei o carro na oficina e vai ter que ficar lá uns dias para consertar um amassado que fiz dando ré, num estacionamento que uso cinco dias na semana, bati num poste que sempre esteve lá. Pura distração.
No porta malas ficou marcado o espaço do poste, enfim, isso já faz mais de um mês e só hoje consegui arrumar um tempo para ficar sem o carro.
A inércia é uma força que tende a manter o mesmo movimento, para ficar como esta, e tem algo muito parecido com ela nas rotinas do dia-a-dia. Por semelhança também a chamarei de inércia.

É necessário refletir sobre o preço que pagamos para tudo continuar como está. Caso o preço seja inaceitável é melhor orar e pedir forças para conseguir quebrar a inércia.
Omelas tem a ver com isso.

Depois de deixar o carro na oficina fui andando a pé e olhando as coisas.
Andando a pé e sem pressa você vê coisas que parece que são invisíveis quando você passa na frente delas dirigindo um carro.
Andei até o centro, ao correio, onde tenho uma caixa postal. No meu caso, uma caixa postal é um costume que parece não fazer muito sentido, talvez seja uma questão de inércia.

Passei na frente de duas escolas de idiomas, entrei na primeira por impulso, curioso para saber os cursos oferecidos. O curso de italiano chamou minha atenção, dai na segunda escola entrei para comparar com a primeira.
Se você dá um passo numa direção, a inércia faz você dar outro passo, se você não toma cuidado -de repente- esta andando num caminho que você não tinha imaginado.
Sim, então gostei e acabei fazendo a matrícula no curso de italiano nessa segunda escola, porque os preços eram melhores, o sistema parece bom e recebi uma aula demonstrativa que gostei. 
Além disso meus conhecimentos de italiano tem como base um curso de extensão universitária que fiz há décadas, completamente insuficiente para qualquer coisa. 
Por outro lado, sempre gostei do italiano. Numas férias recentes estive num lugar que quase todas as pousadas eram de italianos, na mesa de jantar falava-se italiano, nos passeios também, ai senti a necessidade de melhorar, que melhorar nada, de aprender esse idioma pelo menos num nível razoável.
Isso sem contar que um dos meus avôs era descendente de italianos e que sempre quis ir conhecer Veneza.

A mente sempre justifica, vai apresentar as razões mais plausíveis e depois outras tiradas de sei lá qual baul da memória para mostrar que algo que você já decidiu faz todo o sentido do mundo.


Quando entrei no correio fui abrir a caixa postal, vazia, deve ser porque estou recebendo muita correspondência em casa (rsrs). 
Uma vez que tinha tempo disponível fui falar com a atendente para ver a questão do número da caixa postal.
Explico, esse número, durante anos, foi 858, escolhido entre muitos disponíveis porque é igual aos três primeiros números do CEP (zip code) da cidade.
Pois bem, todo ano renovo o contrato e, da última vez, fui surpreendido porque tinham mudado meu número! Sem me consultar. Pensem num sujeito indignado, era eu. 
O gerente dos correios explicou que tinham reduzido a quantidade de caixas postais para 500, obviamente, não foi possível manter meu número, mas, iriam colocar ambos números, caso renova-se, e não haveria problema.
Tudo bem, naquela época renovei por mais dois anos, que era o máximo. Esse tempo seria suficiente para ir avisando o novo número a quem envia correspondência para mim, que são sempre contas.

Então, já tem dias que quero saber quanto tempo falta, porque tenho que avisar do novo número a quem manda correspondência. Mas, sempre ando correndo e nunca paro para perguntar.

Hoje, a funcionária do correio acessou o sistema e me disse: Mas você conseguiu abrir essa caixa? 
Eu estranhei e pensei logo, o que será que vão me aprontar agora...falei: Porque?  
Ela disse: Porque era para estar trancada, venceu em Agosto (2011).
Isso é impossível, falei para ela, renovei recentemente por dois anos !  
Ela ficou na dúvida e verificou o número anterior (858) e o "novo" que eles me deram. Ai falou: venceu em Agosto sim. Lógico que isso é impossível. Para confirmar ela foi e pegou os papeis do contrato que eu tinha assinado.
Pois é, incrível como o tempo passa ! Parece que foi o ano passado e já foram mais de dois anos !
Bem, renovei por mais dois anos.
Eu também me pregunto agora: para que ? Em vez de avisar do novo número da caixa postal, poderia mudar o endereço completo para receber na minha casa e não ter mais a caixa. 

A inércia é mais forte que a razão. "Seguir como está" é uma força ! Para mudar deve exercer outra força maior em sentido contrário. O pensamento rápido não tem força suficiente para vencer a inércia. 
Tomar uma determinação ou uma atitude sim, isso sim pode vencer a inércia.
O certo para vencer a inércia é criar um hábito, isso exige disciplina até virar um hábito. 
Um hábito é, obviamente, uma questão de inércia.
O fogo pode ser utilizado para controlar o fogo.

Querem saber onde fica "Omelas"?
É um lugar que fica no lado contrário da utopia.
No entanto, é um lugar lindo, apenas pessoas cultas e inteligentes moram lá, desfrutando de muita prosperidade, beleza e deleites.
Apesar disso, é um lugar onde moram os que foram vencidos pela inércia.
Alguns, poucos, por uma questão de princípio saem de lá. Eles não concordam com o preço que a cidade paga por toda a felicidade e preferem não desfrutar desse paraíso. 
Os que deixam Omelas partem para a escuridão, sem promessas, deixam a felicidade certa pelo incerto, com o esforço enorme, gigantesco, de quebrar a inércia da felicidade que poderiam desfrutar se concordassem em pagar o preço.
Quem esta morando lá paga um preço. Tudo tem um preço, não tem ?
Não é um preço material, quer saber qual o preço ? veja o link acima, e vai saber.


Obs.
Clique no link, vai lá dar uma olhada, para ir lá vai ter que vencer uma certa inércia, garanto que é muito interessante.
"The Ones Who Walk Away from Omelas"é um conto de Ursula K. Le Guin.